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Dois de Ouros



O caminho misterioso não vai para dentro, mas para fora, não entra nos labirintos, mas sai deles. O caminho misterioso sobe por frias névoas de hidrogênio, braços de espiral rotativos e supernovas que explodem. A última etapa foi um tecido de macromoléculas autoconstruídas.



("Maya", Jostein Gaarder)







sexta-feira, 18 de março de 2011

Dia 20, às 20 horas e 20 minutos


Olhe para o céu hoje à noite e você verá uma Lua quase cheia. Cheia mesmo ela estará amanhã, 19 de março. Falo da Lua para tratar da data do Carnaval. Muitos estranharam o Carnaval tardio deste ano (08/03). Mas se a Lua cheia aparecesse, por exemplo, dois dias depois (21/03), o Carnaval de 2011 cairia no dia 08 de fevereiro. 

Mas por que isso acontece?

Iluminação da Terra pelo Sol no momento do equinócio

A data do Carnaval é determinada pela data da Páscoa. E a Páscoa acontece sempre no primeiro domingo depois da primeira Lua cheia de outono. 

As condições em 2011:

Entrada do outono: 20 horas e 20 minutos, do dia 20 de março.
Primeira Lua cheia de outono: 18 de abril.
Primeiro domingo depois da primeira Lua cheia de outono: 24 de abril.

Definida a data da Páscoa, contamos 47 dias para trás e teremos a data do Carnaval. Simples, não?

O Carnaval e a Páscoa, portanto, variam de ano para ano de acordo com os movimentos da Terra e da Lua. Uma sequencia dessas datas forma um ciclo, que é repetido a cada 5.700.000 anos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Teorias da Conspiração

"Obama está morto."

Em outubro passado fui apresentado por um amigo a um DVD que falava da Nova Ordem Mundial. Era mais uma daquelas teorias da conspiração sem pé nem cabeça que, infelizmente, acabam convencendo muita gente desprevenida. Todo mundo já ouviu alguma coisa do tipo: o homem nunca foi à Lua, os Illuminati ainda existem e tentam dominar o mundo, o 11 de setembro esconde muitas verdades não reveladas. De acordo com estas e outras bobagens, há uma concertação mundial de sábios que desejam controlar o planeta. Nada é o que parece ser e, por trás das ações dos políticos e das grandes corporações, há sempre uma intenção oculta de pessoas que pretendem submeter a humanidade aos seus interesses.

Ao ler a coluna de Michael Shermer na edição da revista Scientific American Brasil de janeiro de 2011 (p. 17), lembrei-me da conversa que tive com o meu amigo e do esforço em convencê-lo de que o conteúdo do DVD não passava de uma enorme coleção de disparates. Shermer nos dá o Detector de Teorias Conspiratórias. Leia com atenção e use as dicas como filtro para as tolices que circulam por aí travestidas de inabalável verdade.


Detector de Teorias da Conspiração

1. A comprovação da conspiração supostamente surge a partir de um padrão de “ligar os fatos” entre eventos não relacionados causalmente. Quando não há evidências que corroboram essas conexões, a não ser a própria alegação de conspiração, ou quando a evidência se encaixa perfeitamente em outras conexões causais – ou na aleatoriedade -, a teoria conspiratória tem grandes chances de ser falsa.

2. Os agentes por trás do esquema conspiratório precisariam ter poderes quase sobre-humanos para executá-lo. As pessoas geralmente não são tão poderosas quanto achamos.

3. A conspiração é complexa e, para ser bem-sucedida, demanda uma grande quantidade de elementos.

4. Da mesma forma, a conspiração envolve um grande número de pessoas que precisam manter silêncio sobre seu funcionamento. Quanto mais pessoas incluídas, menos realista ela se torna.

5. A conspiração inclui uma enorme ganância pelo controle de um país ou de um sistema político ou econômico. Se há uma sugestão de dominação mundial, a teoria apresenta ainda menos chances de ser verdadeira.

6. A teoria conspiratória parte de pequenos eventos, que poderiam ser reais, e vai para fenômenos muito maiores e menos prováveis.

7. A teoria conspiratória atribui significados pressagiosos e sinistros a eventos com grandes chances de ser apenas insignificantes.

8. A teoria tende a misturar fatos e especulações, sem fazer uma distinção entre os dois, tampouco atribuir níveis de probabilidade ou facticidade.

9. O teórico suspeita indiscriminadamente de todos os órgãos governamentais ou grupos privados. Isso sugere uma inabilidade de identificar diferenças entre conspirações falsas e verdadeiras.

10. O teórico da conspiração recusa-se a considerar explicações alternativas, rejeitando todas as evidências contrárias ou buscando ostensivamente somente fatos que sustentem o que ele determinou a priori ser verdade.

(Michael Shermer, Scientific American Brasil, janeiro de 2011, p. 17)


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Luís Otávio “Chupeta” na Seleção de Desenvolvimento Masculina de Basquetebol


Chupeta e Marcelo Bunte

 O italvense Luís Otávio, conhecido como Chupeta, agora faz parte da Seleção de Desenvolvimento Masculina de Basquetebol. Em março ele participará de um torneio nos Estados Unidos e em abril de outro torneio na Europa.


Transcrevo a notícia do site da Confederação Brasileira de Basketball:

"O técnico José Alves Neto convocou, hoje (2), os 16 atletas da seleção de desenvolvimento masculina, que vão morar e treinar por seis meses no Centro de Treinamento e Desenvolvimento da Base do Basquete, em São Sebastião do Paraíso (MG). O grupo, que se apresenta neste sábado (dia 5), às 18 horas, irá treinar na Arena Olímpica de São Sebastião do Paraíso (Av. Monsenhor Mancini, 755 – Centro). O técnico da equipe analisa os pré-selecionados e da expectativa para a próxima etapa de treinos.
Dos 22 atletas que foram observados por uma semana pela comissão técnica, entre 26 de janeiro a 1º de fevereiro, três jogadores agora fazem parte da seleção de desenvolvimento. São eles o carioca Luís Otavio Vieira, o paulista Alexandre Paranhos, além do baiano Gemerson Barbosa."

Leia o que Chupeta disse na entrevista:


— É uma oportunidade muito boa, já que esse é o meu último ano de base. Qualquer atleta almeja fazer parte de uma seleção brasileira, então estou extremamente contente. Os treinos em São Sebastião foram bastante puxados e foi muito bom ter como professores o Neto e o André. O Magnano também nos deu toques importantes para conseguirmos conquistar a vaga. A partir de agora quero aprender cada vez mais para evoluir e ajudar o meu grupo — comentou Luís Otávio.








quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken


Três passagens do livro A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken, de Jostein Gaarder e Klaus Hagerup:

“Passeio pelas estantes da biblioteca. Os livros me dão as costas. Não para me rejeitar, como as pessoas: são convidativos, querendo apresentar-se a mim. Metros e mais metros de livros que nunca poderei ler. E sei: o que aqui se oferece é a vida, são complementos à minha própria vida que esperam ser postos em uso. Mas os dias passam rápido e deixam para trás as possibilidades. Um único desses livros talvez bastasse para mudar completamente a minha vida. Quem sou eu agora? Quem eu seria então?” 
(Simen Skjønsberg, “O prazer assombroso”, citado no livro.)




“De repente senti muita fome. Não de comida, mas de todas as palavras escondidas naquelas estantes. Mas eu sabia que, por mais que eu lesse por toda a minha vida, nunca conseguiria ler um milésimo de todas as frases que já foram escritas. Sim, pois há tantas frases no mundo como há estrelas no céu. E elas se multiplicam e se expandem continuamente, como o espaço infinito.
Mas ao mesmo tempo eu sabia que a cada vez que eu abrisse um livro, eu veria um pedacinho desse céu. Sempre que lesse uma frase, saberia um pouco mais do que antes. E tudo o que leio faz o mundo ficar maior, ficando maior eu também. Por um momento, eu contemplei o fantástico, o mágico mundo dos livros.”




“E a cada segundo que passa aumenta o saber acumulado na face da Terra. Não param de surgir novos pensamentos, novas palavras e frases feitas por novas pessoas. No mundo inteiro, neste exato momento, milhões de crianças estão criando a língua de amanhã. Algumas guardam tudo para si, enquanto outras escrevem. Poemas inacabados, histórias começadas, frases que nunca foram escritas antes. As crianças estão cheias de um saber que nem ao menos sabem que têm. Elas... vocês trouxeram uma herança do passado e, ao mesmo tempo, têm dentro de vocês as possibilidades de futuro.” 

A história do livro, pelo texto da contracapa:
Havia alguma coisa estranha naquela mulher que o garoto Nils encontrou numa livraria, quando comprava um diário para iniciar uma correspondência com a prima Berit. A mulher, uma certa Bibbi Bokken, vagava diante das estantes numa espécie de transe, olhando-as com água na boca, como se os livros fossem de chocolate ou de marzipã. Quando Nils foi pagar a conta, a mulher ofereceu uma contribuição - e o garoto ficou com aquela cena incomum na cabeça.
Os dois primos decidiram investigar quem era a tal mulher e o porquê de suas atitudes suspeitas - as duas perguntas básicas de uma boa história de detetives. Ficam sabendo que ela morava em Fjærland, a cidade de Berit, onde os dois haviam passado as últimas férias. E, nessa investigação, acabam conhecendo a história dos livros, das bibliotecas e do fascínio que eles exercem sobre as pessoas há séculos.
Muitas histórias entram neste livro divertido e múltiplo, que pode ser lido como trama policial, narrativa histórica ou novela epistolar - mas, sobretudo, como uma declaração de amor aos livros e à palavra escrita.