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Dois de Ouros



O caminho misterioso não vai para dentro, mas para fora, não entra nos labirintos, mas sai deles. O caminho misterioso sobe por frias névoas de hidrogênio, braços de espiral rotativos e supernovas que explodem. A última etapa foi um tecido de macromoléculas autoconstruídas.



("Maya", Jostein Gaarder)







segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Comparando as enchentes: 1997 e 2012

Algumas fotos que eu tirei na enchente de 1997.
No final desta postagem há links para os álbuns de fotos das enchentes de 1997 e de 2012.

Av. José Luís Marinho

Praça da Matriz



Av. Portela Salles

Para ver mais fotos da enchente de 1997 clique no link:  

Para ver as fotos da enchente de 2012: 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Monitorando o nível do rio Muriaé

Para quem quiser monitorar o nível do rio Muriaé em Italva:

Acesse esta página do INEA (Instituto Estadual do Ambiente):


No menu Sensores – no alto, à esquerda – clique em Nível.
Role a página até a Região Norte e Noroeste.
Clique sobre Italva.

Aparecerão os dados enviados pela estação de Italva, atualizados a cada 15 minutos.

Praça da Bíblia

Av. Cel. Luís Salles

Clique sobre as fotos para ver no tamanho original.

sábado, 31 de dezembro de 2011

2012

Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?) .

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Exercício para 31 de dezembro


Exercício

Transforme os dias em pequenos objetos com os quais você pode brincar. Em bolas de gude amarelas, vermelhas, verdes e azuis. Uma semana inteira você consegue controlar assim. Segunda-feira vermelha, terça-feira verde, quarta-feira violeta... Se você tentar reunir o estoque para um mês inteiro, perderá rapidamente a visão do conjunto. Onde é que ficou o dia 18? O dia 26 era azul ou vermelho? Um ano é suficiente para cobrir o chão da cozinha. Dia 8 de janeiro embaixo da geladeira, 26 de maio debaixo do aquecedor, dia 24 de outubro em algum lugar embaixo do fogão.

Você não consegue andar pela cozinha sem pôr as bolas de gude em movimento. Um dia bate no outro - como moléculas de pensamentos na memória. Agora trezentas e sessenta e cinco esferas rolam pelo chão. Lentamente, o dia 3 de novembro vai rodando pelo chão em direção à mesa, bate na véspera do Natal, que continua rolando até o domingo de Pentecostes.

Você tem um apartamento de três cômodos e multiplica as trezentas e sessenta e cinco bolinhas do ano por setenta ou oitenta. O dia 17 de abril de 1983 pula a soleira da porta e sai rolando pela sala, onde bate no dia 18 de outubro de 1954, no dia 27 de junho de 1996 e no 24 de março de 2012 até parar ao lado do 5 de dezembro de 1989, embaixo da televisão.

 Você nada na opulência. Você se acha rico. Então alguém bate à porta. Cuidadosamente, você escala o chão da sala, afasta algumas centenas de bolas da porta e a abre para uma jovem. Como você não tem rosas vermelhas, oferece a ela um punhado de bolas de gude. Mas a jovem quer jogar com as bolinhas que você lhe dá, e, antes que você se dê conta, já perdeu um milhar delas.

Então batem de novo à porta, e entra um garotinho. Você lhe dá alguns milhares de bolas. No dia seguinte, ele traz sua irmã. Ela exige tantas bolas quanto seu irmão. E só agora você percebe que o seu estoque está começando a diminuir. O chão não está mais tão abarrotado. As bolas de gude não se empilham mais por todos os cantos, como nos velhos bons tempos.

 E depois aparece o homem à porta. Ele lhe mostra um papel no qual consta que você lhe deve quatro mil e quinhentas bolinhas. Você logo se lança ao chão, conta o número exato de bolinhas e paga sua dívida instantaneamente. Você quer saber o que tem, quer saber com o que ainda pode contar. Mas agora só lhe restam umas poucas bolas. Você tem que procurar, tem que correr de um quarto para o outro para achar mais uma.

 Você tranca a porta e procura proteção. O que ainda lhe resta quer guardar para si.

(GAARDER, Jostein. O Pássaro Raro. Tradução de Sonali Bertuol. - São Paulo: Companhia das Letras, 2001. – 7ª reimpressão, 2007.)

Jostein Gaarder é o autor de O Mundo de Sofia.


terça-feira, 24 de maio de 2011

O Dia do Curinga



Um trecho muito interessante do livro “O Dia do Curinga”, de Jostein Gaarder:
O pai de Hans-Thomas conversa com ele:

“—Mil trezentos e quarenta e nove — começou ele.
—A morte negra — respondi. Eu sabia alguma coisa sobre história, mas não sabia o que a peste negra podia ter a ver com o tema do acaso.
—O.k. — disse ele. E continuou: — Você deve saber que metade da população da Noruega sucumbiu à peste. Só que existe aí uma coisa de que nunca falamos.
Quando ele começava assim eu já sabia que ia ter de ouvir uma longa explanação.
— Você tem consciência de que naquela época você tinha muitos milhares de antepassados? — perguntou meu pai.
Balancei a cabeça em sinal de dúvida sobre o que ele havia dito. Como aquilo podia ser possível?
—Todos nós temos um pai e uma mãe, quatro avós, oito bisavós, dezesseis tataravós, e assim por diante. Se você for fazendo as contas até voltar a 1349, vai chegar a um número bem grande.
Concordei.
—Então veio a peste. A morte rondava os povoados, um a um, e as crianças eram as suas maiores vítimas. Em algumas famílias morreram todas as crianças; em outras, uma ou talvez duas conseguiram sobreviver. Naquela época, Hans-Thomas, muitas centenas dos seus antepassados eram crianças. E nenhum deles morreu.
—Como é que você pode ter tanta certeza disso? — perguntei intrigado.
Ele deu uma tragada no cigarro e continuou:
—Porque você está bem aqui ao meu lado, olhando para o mar Adriático.
Essa foi mais uma daquelas conclusões surpreendentes, que me deixavam sem saber como reagir. Uma coisa era certa: meu pai tinha razão. Pois se apenas um de meus antepassados tivesse morrido quando criança, ele ou ela não poderia ter sido meu antepassado.
—A probabilidade de nenhum dos seus antepassados ter morrido ainda crianças era uma para muitos bilhões — prosseguiu ele. E a partir daí suas palavras começaram a jorrar como a água de um dique que se rompe: — Pois não estamos falando aqui apenas da peste, entende? Todos, todos os seus antepassados cresceram e tiveram filhos em épocas que foram palco das mais terríveis catástrofes naturais e que, além do mais, possuíam índices assustadores de mortalidade infantil. É claro que muitos deles chegaram a ficar doentes, mas o fato é que todos sempre sobreviveram às enfermidades. Assim, por muitas centenas de bilhões de vezes você esteve a um milímetro da morte, Hans-Thomas. Sua vida neste planeta foi ameaçada por insetos e animais selvagens, meteoros e raios, doenças e guerras, enchentes e incêndios, envenenamentos e tentativas de assassinato. Só na guerra dos Trinta Anos você deve ter se ferido muitas centenas de vezes, pois você deve ter tido antepassados de ambos os lados. Sim, no fundo, você travou uma guerra contra si mesmo e contra suas possibilidades de nascer três séculos mais tarde. E o mesmo vale para a Segunda Guerra Mundial: se algum bom Norueguês tivesse abatido o seu avô durante o período da ocupação, nem você e nem eu teríamos nascido. Estou falando de uma coisa que aconteceu muitos bilhões de vezes ao longo da história. Todas as vezes que uma seta cortou os ares sibilando, as chances de você nascer foram reduzidas a um mínimo. Mas aí está você, Hans-Thomas, sentado bem ao meu lado e conversando comigo. Entende?
—Acho que sim — respondi. Pelo menos achava que entendia o quanto tinha sido importante o pneu furado na bicicleta da minha avó durante aquele passeio em Froland.
—Estou falando de uma única e longa cadeia de acasos — prosseguiu meu pai. —E essa cadeia pode ser acompanhada até chegarmos à primeira célula viva, que se dividiu e com isso deu o pontapé inicial para tudo o que cresce e medra hoje em dia no planeta. A probabilidade de que a minha cadeia não se interrompeu em algum ponto do passado ao longo de três ou quatro bilhões de anos é tão pequena que quase não podemos imaginá-la. Mas eu consegui chegar até aqui. Isso mesmo, diabos, aqui estou eu! E sei que sorte do cão eu tive para ter o prazer de desfrutar deste planeta na sua companhia. Sei da sorte que teve cada pequeno ser vivo deste planeta.
—E aqueles que tiveram azar? — perguntei.
—Eles não existem! — gritou ele. — Nunca nasceram. A vida é uma loteria gigante, da qual só se veem os ganhadores.
E tendo dito isso, meu pai parou para ficar olhando o mar.
(...)
—(...) Não acredito que o mundo seja um acaso, Hans-Thomas. — Fez uma pequena pausa; depois, debruçou-se sobre mim e sussurrou:
—Acho que o universo é fruto de uma vontade. Um dia você verá que por detrás de todas essas miríades de estrelas e galáxias oculta-se uma intenção.”

(“O Dia do Curinga”, Jostein Gaarder; tradução João Azenha Jr. – São Paulo: Companhia das Letras, 1996 – 139 a 144)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Mito de Sísifo

Sísifo, óleo sobre tela, de Tiziano Vecellio


Na mitologia grega Sísifo desafia os deuses e é condenado a carregar uma pedra montanha acima. Quando finalmente chega ao topo, a pedra rola de volta à planície. Ele leva a rocha novamente para cima e ela rola mais uma vez para baixo. E assim ele fará eternamente, como castigo.
Albert Camus escreve que Sísifo somos todos nós:

O Mito de Sísifo
Os mitos são feitos para que a imaginação os anime. No caso deste, só vemos todo esforço de um corpo tenso ao erguer a pedra enorme, empurrá-la e ajudá-la a subir uma ladeira cem vezes recomeçada; vemos o rosto crispado, a bochecha colada contra a pedra, o socorro de um ombro que recebe a massa coberta de argila, um pé que a retém, a tensão dos braços, a segurança totalmente humana de duas mãos cheias de terra. Ao final desse prolongado esforço, medido pelo espaço sem céu e pelo tempo sem profundidade, a meta é atingida. Sísifo contempla então a pedra despencando em alguns instantes até esse mundo inferior de onde ele terá que tornar a subi-la até os picos. E volta à planície.
É durante esse regresso, essa pausa que Sísifo me interessa. Um rosto que padece tão perto das pedras já é pedra ele próprio! Vejo esse homem descendo com passos pesados e regulares de volta para o tormento cujo fim não conhecerá. Essa hora, que é como uma respiração e que se repete com tanta certeza quanto sua desgraça, essa hora é a da consciência. Em cada um desses instantes, quando ele abandona os cumes e mergulha pouco a pouco nas guaridas dos deuses, Sísifo é superior ao seu destino. É mais forte que sua rocha.
Esse mito só é trágico porque seu herói é consciente. O que seria a sua pena se a esperança de triunfar o sustentasse a cada passo? O operário de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas, e esse destino não é menos absurdo. Mas só é trágico nos raros momentos em que se torna consciente. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda a extensão de sua miserável condição: pensa nela durante a descida. A clarividência que deveria ser o seu tormento consuma, ao mesmo tempo, sua vitória. Não há destino que não possa ser superado com o desprezo.
Assim como, em certos dias, a descida é feita na dor, também pode ser feita na alegria.
(...)
A própria luta para chegar ao cume basta para encher o coração de um homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.
(O mito de Sísifo, de Albert Camus; tradução de Ari Roitman e Paulina Watch - 6ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2008.)


sexta-feira, 18 de março de 2011

Dia 20, às 20 horas e 20 minutos


Olhe para o céu hoje à noite e você verá uma Lua quase cheia. Cheia mesmo ela estará amanhã, 19 de março. Falo da Lua para tratar da data do Carnaval. Muitos estranharam o Carnaval tardio deste ano (08/03). Mas se a Lua cheia aparecesse, por exemplo, dois dias depois (21/03), o Carnaval de 2011 cairia no dia 08 de fevereiro. 

Mas por que isso acontece?

Iluminação da Terra pelo Sol no momento do equinócio

A data do Carnaval é determinada pela data da Páscoa. E a Páscoa acontece sempre no primeiro domingo depois da primeira Lua cheia de outono. 

As condições em 2011:

Entrada do outono: 20 horas e 20 minutos, do dia 20 de março.
Primeira Lua cheia de outono: 18 de abril.
Primeiro domingo depois da primeira Lua cheia de outono: 24 de abril.

Definida a data da Páscoa, contamos 47 dias para trás e teremos a data do Carnaval. Simples, não?

O Carnaval e a Páscoa, portanto, variam de ano para ano de acordo com os movimentos da Terra e da Lua. Uma sequencia dessas datas forma um ciclo, que é repetido a cada 5.700.000 anos.